domingo, 7 de dezembro de 2008

Morreu o escritor Alçada Baptista


O escritor e jornalista António Alçada Baptista morreu esta tarde, em Lisboa, aos 81 anos. O "escritor de afectos", "com uma sensibilidade feminina", como um dia disse de si próprio, deixa uma vasta obra na área da ficção e ensaio e uma imagem de defensor da liberdade e dos direitos do homem, como frisaram hoje a escritora Inês Pedrosa ou o deputado socialista Manuel Alegre.

Nasceu em 1927 na Covilhã. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, Alçada Baptista, que apenas exerceu advocacia entre 1950 e 1957, tem uma vasta obra literária publicada.
Esteve também ligado ao jornalismo e à edição.
Foi ainda cronista.

Admitindo ter “uma sensibilidade feminina”, Alçada Baptista enquadrava-se, segundo o próprio, entre os raros escritores que não tinham “vergonha dos afectos”: "A minha obra escrita vende-se muito por uma razão simples, porque eu sou talvez o primeiro escritor que não teve vergonha dos afectos", disse um dia o escritor sobre a sua obra - ao todo 14 títulos - que percorreu o ensaio, crónica, novela e o romance.

"A Pesca à Linha - Algumas Memórias", obra assumidamente de memórias e recordações, revelou o profundo sentido afectivo que caracteriza a escrita de Alçada Baptista, enquanto em "Um Olhar à Nossa Volta" deixou o testemunho de uma vivência colectiva registada na década de 70 e 80 marcada por inquietações político-sociais.

Mas foi com "Peregrinação Interior - Reflexões sobre Deus" (1971) e "Peregrinação Interior II - O Anjo da Esperança" (1982) que obteve a unanimidade da crítica e do público. Tem uma escrita influenciada pelo cristianismo e por pensadores como Emmanuel Mounier e Teillard de Chardin.

Da sua obra constam ainda "Documentos Políticos" (crónicas e ensaios, 1970), "O Tempo das Palavras" (1973), "Conversas com Marcello Caetano" (1973), "Os Nós e os Laços" (romance, 1985), "Catarina ou o Sabor da Maçã" (novela, 1988), "Tia Suzana, meu Amor" (romance, 1989) e "O Riso de Deus" (romance, 1994).

Em 1961 e 1969 foi candidato pela Oposição Democrática nas eleições para a Assembleia Nacional e, de 1971 a 1974, foi assessor para a Cultura do então ministro da Educação Nacional, Veiga Simão.
Funcionário da Secretaria de Estado da Cultura desde 1978, presidiu aos trabalhos da criação do Instituto Português do Livro, a que presidiu até 1986.

Foi ainda um dos fundadores da revista “O tempo e o Modo”, que marcou gerações. Era ainda editor da Moraes Editora.

O escritor foi condecorado com a Ordem de Santiago, com a Grã Cruz da Ordem Militar de Cristo pelo Presidente Ramalho Eanes, em 1983 e com a Grã Cruz da Ordem do Infante pelo Presidente Mário Soares, de quem foi colaborador, em 1995.

Sócio da Academia Brasileira de Letras, da Academia das Ciências de Lisboa, e da Academia Internacional de Cultura Portuguesa, foi também presidente da Comissão de Avaliação do Mérito Cultural e administrador da Fundação Oriente.

Esquecer o autor, lembrar a pessoa

Inês Pedrosa, directora da Casa Fernando Pessoa, lembrou, em declarações à TSF, o “homem de causas”: “Foi um homem de causas, dos direitos do homem e da democracia. Mas temo que seja esquecido enquanto escritor para ser lembrado enquanto pessoa”.

Uma figura marcante da cultura portuguesa

O deputado e poeta Manuel Alegre lamentou também a morte do escritor e amigo António Alçada Baptista, de 81 anos, e descreveu-o como uma "figura marcante da cultura portuguesa".
Em declarações à Agência Lusa, Manuel Alegre sublinhou ainda o papel político do ensaísta e romancista nascido na Covilhã, em 1927, "na luta pela democracia em Portugal".

"Era uma figura multifacetada, com uma cultura vastíssima, e um homem muito afectuoso nas suas relações, com os amigos e a família", recordou o poeta.
Lembrou ainda "o papel importante" no estreitamento das relações de Portugal com o Brasil, e com os países africanos de língua oficial portuguesa.

Conversador e terno

O jornalista Baptista Bastos recordou Lusa que "conversar com Alçada Baptista era como assistir a um festival de memórias", a propósito da morte do escritor, hoje aos 81 anos.

"Era uma pessoa muito conversadora e terna. Talvez dos poucos escritores portugueses que não tinham inimigos, tal era a sua generosidade", referiu o jornalista.

Baptista Bastos lamentou que a obra de António Alçada Baptista fosse "um pouco esquecida" e apontou o livro "Peregrinação Interior I - Reflexões Sobre Deus" como sendo um dos livros mais importantes dos últimos 50 anos.

"É uma dramática interrogação do que é ser católico que devia ser lido e relido mais do que uma vez", afirmou.

O jornalista recordou ainda uma viagem que fez ao Brasil com Alçada Baptista juntamente com outros escritores e lembrou o amigo como "um excelente contador de histórias" de quem vai ter "muitas saudades".

Um estilo que marcou a diferença

A escritora Lídia Jorge destacou hoje o estilo de escrita de António Alçada Baptista, porque marcou a diferença pelo "imaginário intimista numa época em que predominava o imaginário social".

Em declarações à Agência Lusa sobre o desaparecimento do escritor de 81 anos, Lídia Jorge salientou que este imaginário diferente, sobre a relação entre as pessoas, "levou alguns a compará-lo a Virgílio Ferreira".

"Tocou-me, por exemplo, porque expunha uma espécie de lado metafísico que não era também comum na altura, e que era muito importante", salientou, comentando que Alçada Baptista "não o fazia com exuberância, mas com recato e delicadeza".

Recordou o impacto que tiveram as obras "Peregrinação Interior - Reflexões sobre Deus" (1971), e "Peregrinação Interior II - O Anjo da Esperança" (1982), sobretudo este último, "único dentro do género".

"A voz dele prolongou-se em romances como 'Os Nós e o Laços'" (1985), acrescentou a romancista, que o conheceu já como presidente do Instituto Português do Livro, nos anos 80 do século passado.

Era "um homem dos livros, defensor dos livros, agregador e embaixador dos escritores, o que foi muito importante na altura, e ainda hoje faz falta", sublinhou ainda a autora.

O corpo vai ser velado na Igreja das Mercês, em Lisboa, sendo amanhã levado para o Cemitério dos Prazeres.

in www.publico.pt

sábado, 6 de dezembro de 2008

Movimento Perpétuo Associativo - Deolinda


Composição: Pedro da Silva Martins

Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!

Agora não, que é hora do almoço...
Agora não, que é hora do jantar...
Agora não, que eu acho que não posso...
Amanhã vou trabalhar...

Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos vencer!

Agora não, que me dói a barriga...
Agora não, dizem que vai chover...
Agora não, que joga o Benfica...
e eu tenho mais que fazer...

Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, é esta a direcção!

Agora não, que falta um impresso...
Agora não, que o meu pai não quer...
Agora não, que há engarrafamentos...
Vão sem mim, que eu vou lá ter...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Entrevista -Sandra Barata Belo


Sandra Barata Belo, a actriz escolhida para o papel da fadista, que é um dos símbolos do Portugal do século XX, agarrou o desafio de recriar décadas de uma vida incomum.
‘Amália – O Filme’ chega amanhã aos cinemas


- Como reagiu à primeira abordagem para fazer de Amália Rodrigues?

- Fiquei muito contente e curiosa porque disseram que andavam à procura da protagonista.
Pediram uma fotografia à minha agência para ir fazer o casting.
Pensei que já tinham actriz escolhida e estavam à procura para outros papéis.
E a minha agente disse: ‘Não, acho que estão mesmo à procura de uma Amália.’
Depois enviaram-me duas cenas do filme e dois playbacks.
Basicamente fiquei cinco dias fechada em casa a procurar no You Tube tudo o que havia com a Amália: mais velha, mais nova, a cantar, a dar entrevistas... E também a decorar e a ouvir repetidamente os dois fados que iria cantar: ‘Foi Deus’ e ‘Estranha Forma de Vida’.
Quando chegou o dia de ir fazer o casting estava pronta.

- Ficou com medo quando a escolheram para fazer de Amália Rodrigues?

- Senti que era uma grande responsabilidade porque ela ainda está muito presente e é adorada por todos.
E ia fazer uma Amália da adolescência até aos 64 anos, o que por si só já seria um grande desafio.

- O que descobriu sobre a fadista ao preparar-se para o papel?

- Não sabia que a Amália era tão existencialista, que arrastava sempre aquela tristeza.
Mas isso era uma contradição com a sua maneira de ser descontraída, com o ter sempre resposta para tudo e com um sentido de humor muito requintado.

- Fez muitas cenas em que a personagem vive uma grande tristeza. Esse sentimento acompanhava-a no final do dia de rodagem?

- Não. Tinha uma equipa fantástica que me soube ajudar. Às vezes acreditavam mais em mim do que eu própria e davam-me confiança.
Mas ficava muito cansada nos dias em que passava o tempo a chorar. Exausta. (risos) Nas cenas de Nova Iorque tinha de controlar muito para não arrancar a prótese [para simular o envelhecimento da fadista] que tinha no rosto.
Era um exercício à minha paciência. Tinha de representar alguém que está a um passo de desistir de tudo quando as próteses não me deixavam sentir as lágrimas na cara. Só me apetecia retirar aquela prótese.

- Alguma vez o desconforto da prótese chegou a converter-se em dor?

- Havia dias em que ficava cinco horas a ser caracterizada. Quando me levantava da cadeira estava pronta para me retirarem o que tinham acabado de pôr.
Foi doloroso mas não me podia queixar, pois sabia que para fazer esta personagem teria de passar por aquilo tudo.
Houve um dia em que fiquei mais de 12 horas com aquilo na cara e a minha pele é muito reactiva: se estou num sítio quente e a seguir vou para um local frio fico vermelha como um tomate.

- Acha que o filme vai alterar a forma como os portugueses vêem Amália Rodrigues?

- Vai ajudar a completar. O público conhece a Amália dos palcos e sabe uma ou outra coisa da vida dela, que até pode ser mentira.
Agora vão perceber porque é que ela cantava daquela maneira.
Por ter uma grande insatisfação, por questionar tudo e mais alguma coisa.

- Os espectadores vão ouvir os fados interpretados pela própria Amália.
Gostava que num futuro DVD aparecesse a sua interpretação?

- Não.

- Mas teve formação para poder cantar?

- Tive aulas de canto e acho que até me safei. Houve alguma evolução.
E mesmo antes tive várias vezes ‘workshops’ de voz. Mas neste caso a formação foi muito específica.
Foi para fazer de Amália, para os fados dela e para a forma particular de cantar o fado: muita tristeza, peito para cima e olhos no infinito.
Tive que perceber como é que ela fazia isto. E estou a cantar muito melhor.

- Sentiu alguma coisa especial nas cenas que foram filmadas na casa de Amália Rodrigues?

- A primeira vez que lá entrei foi muito especial. Ver os espaços onde tudo aquilo poderia ter acontecido...
Não era negativo, porque a Amália não era uma pessoa negativa. Era uma energia benéfica. Mas senti um peso.
Era como se tivesse de desviar o ar para poder passar porque a energia dela está lá. É inevitável. No dia das filmagens toda a equipa sentiu...

- A cama onde se deita no filme é aquela onde Amália dormia?

- É. (pausa) Foi um dos momentos mais difíceis.
Senti-me uma intrusa no quarto de Amália.
Senti que não tinha direito de estar ali e não gostava de ver as pessoas a andarem lá pela casa com cabos, máquinas e projectores.
Fez-me um bocadinho de confusão. Mas tinha de aproveitar todo esse incómodo e transpô-lo para a cena.

- Entre os vários interesses românticos da sua personagem elege algum?

- Acho que ela nunca soube o que era melhor para ela. Como é que eu vou saber?

- Tem alguma cena preferida?

- Muitas.

- Não destaca nenhuma?

- Cada idade tem a sua graça e eu fiz várias.
Cada uma tem a sua cena. Olho para as cenas como as mães olham para os filhos. Não consigo identificar uma predilecta.
Há algumas de que gosto menos mas não vale a pena dizer quais são.

- Se estivesse frente a frente com os familiares de Amália que tentaram impedir as filmagens e a estreia do filme com uma providência cautelar, o que lhes diria?

- Tentaria perceber se viram a Amália em mim.
O meu trabalho não foi escrever, foi recriá-la. Gostava que me dissessem os momentos em que viram mais a Amália e os momentos em que viram menos.








PERFIL

Sandra barata belo Estreia-se no cinema aos 30 anos com ‘Amália – O Filme’, mas já tem uma longa carreira como actriz.
A 'lisboeta de gema' pisou o palco pela primeira vez em 1996 e entrou na telenovela ‘Chiquititas’.

REALIZADOR QUER TER 400 MIL ESPECTADORES

Carlos Coelho da Silva espera ultrapassar os 400 mil espectadores conseguidos por ‘O Crime do Padre Amaro’, também realizado por si, com ‘Amália – O Filme’, que estreia amanhã em 72 cinemas.

Apesar da 'impiedosa realidade dos orçamentos' que levou Espinho a fazer de Copacabana – 'Foi o único sítio onde arranjámos calçada portuguesa junto ao mar e sem obstáculos', explica –, está satisfeito com o resultado e consegue imaginar-se como autor da primeira longa--metragem portuguesa nomeada para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. 'Pode chegar aí.
Tem valores de produção e de representação, uma figura conhecida e a interpretação da Sandra', disse ao CM.

A escolha de Sandra Barata Belo, chamada para um casting tal como nove outras actrizes com 'potencial dramático e alguma parecença' com Amália Rodrigues, deveu-se inicialmente aos seus olhos.
'Percebi que a semelhança estava lá e principalmente no olhar distante e enigmático', explica o realizador.

in www.correiomanha.pt

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O Grito - Edvard Munch



Este quadro de Edvard Much é uma obra de arte do final do século XIX e na minha opinião é bem representativa de algumas angústias que se iam sentindo naquele período de tempo.
Mas para outras pessoas este quadro é apenas um belo quadro pintado com cores quentes, muito características do período do expressionismo (Azul, Vermelho, Amarelo, etc.) e que representa uma pessoa a gritar por qualquer motivo ou então a pedir ajuda.
Ainda poderá haver uma outra interpretação para este quadro e que poderá estar relacionada com o facto da irmã de Edvard Munch sofrer da Doença Bipolar, o que fazia com a família de Munch sofresse de uma grande angústia.
Mas há quem sugira que o quadro o grito remete para um tsunami e as pessoas gritam com medo, com pânico, etc.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

If you leave - OMD


If you leave, don’t leave now
Please don’t take my heart away
Promise me, just one more night
Then we’ll go our separate ways
We’ve always had time on our sides
Now it’s fading fast
Every second, every moment
We’ve got to, We’ve got to make it last

I touched you once, I touched you twice
I won’t let go at any price
I need you now like I needed you then
You always said we'd still be friends someday

If you leave I won't cry
I won't waste one single day
But if you leave don't look back
I'll be running the other way
Seven years went under the bridge
Like time was standing still
Heaven knows what happens now
You’ve got to, You’ve got to say you will

I touched you once, I touched you twice
I won't let go at any price
I need you now like I needed you then
You always said we'd meet again

I touched you once, I touched you twice
I won’t let go at any price
I need you now like I needed you then
You always said we’d still be friends

I touched you once, I touched you twice
I won’t let go at any price
I need you now like I needed you then
You always said we'd meet again someday

ohwoah ohwoah ohwoah ohwoah ohwoah

If you leave (ohwoah)
If you leave (ohwoah)
If you leave (ohwoah)
Don’t look back
Don’t look back

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Revolução de 1640


Restauração da Independência

A Restauração da Independência é a designação dada à revolta iniciada em 1 de Dezembro de 1640 contra a tentativa de anulação da independência do Reino de Portugal por parte da dinastia filipina, e que vem a culminar com a instauração da Dinastia Portuguesa da casa de Bragança. É comemorada anualmente em Portugal por um feriado no dia 1 de Dezembro.


Antecedentes


D. Sebastião, um rei jovem e aventureiro, habituado a ouvir as façanhas das cruzadas e histórias de conquistas além-mar, quis conquistar o Norte de África em sua luta contra os mouros. Na batalha de Alcácer Quibir no Norte de África, os portugueses foram derrotados e D. Sebastião desapareceu.
E os guerreiros diziam cada um a sua história.
O desaparecimento de D. Sebastião (1557-1578) na batalha de Alcácer-Quibir, apesar da sucessão do Cardeal D. Henrique (1578-1580), deu origem a uma crise dinástica.

Nas Cortes de Tomar de 1581, Filipe II de Espanha é aclamado rei, jurando os foros, privilégios e mais franquias do Reino de Portugal. ~
Durante seis décadas Portugal ficou privado de rei natural, sob o que se tem designado por "domínio filipino".

Com o primeiro dos Filipes (I de Portugal, II de Espanha), não foi atingida de forma grave a autonomia política e administrativa do Reino de Portugal.
Com Filipe III de Espanha, porém, começam os actos de desrespeito ao juramento de Filipe II em Tomar.
Em 1610, surgiu um primeiro sinal de revolta portuguesa contra o centralismo castelhano, na recusa dos regimentos de Lisboa a obedecer ao marquês San-Germano que de Madrid fora enviado para comandar um exército português.

No início do reinado de Filipe III, ao estabelecer-se em Madrid a política centralista do Conde-duque de Olivares, o seu projecto visava a anulação da autonomia portuguesa, absorvendo por completo o reino de Portugal.
Na "Instrucción sobre el gobierno de España", que o Conde-Duque de Olivares apresentou ao rei Filipe IV, em 1625, tratava-se do planeamento e da execução da fase final da sua absorção, indicando três caminhos:

1º - Realizar uma cuidadosa política de casamentos, para confundir e unificar os vassalos de Portugal e de Espanha;
2º - Ir o rei Filipe IV fazer corte temporária em Lisboa;
3º - Abandonar definitivamente a letra e o espírito dos capítulos das Cortes de Tomar (1581), que colocava na dependência do Governo autónomo de Portugal os portugueses admitidos nos cargos militares e administrativos do Reino e do Ultramar (Oriente, África e Brasil), passando estes a ser Vice-reis, Embaixadores e oficiais palatinos de Espanha.
A política de casamentos seria talvez a mais difícil de concretizar, conseguindo-se ainda assim o casamento de Dona Luísa de Gusmão com o Duque de Bragança, a pensar que dele sairiam frutos de confusão e de unificação entre Portugal e Espanha.
O resultado veio a ser bem o contrário.

A reacção à política fiscal de Filipe IV vai tomar a dianteira no processo que conduz à Restauração de 1640.
Logo em 1628, surge no Porto o " Motim das Maçarocas", contra o imposto do linho fiado.
Mas vão ser as " Alterações de Évora", em Agosto de 1637, a abrir definitivamente o caminho à Revolução.

Nas "Alterações de Évora", o povo da cidade deixava de obedecer aos fidalgos e desrespeitava o arcebispo.
A elevação do imposto do real de água e a sua generalização a todo o Reino de Portugal, bem como o aumento das antigas sisas, fez subir a indignação geral, explodindo em protestos e violências.
O contágio do seu exemplo atingiu quase de imediato Sousel e Crato; depois, as revoltas propagaram-se a Santarém, Tancos, Abrantes, Vila Viçosa, Porto, Viana do Castelo, a várias vilas do Algarve, a Bragança e à Beira.

Em 7 de Junho de 1640 surgia também a revolta na Catalunha contra o centralismo do Conde-Duque de Olivares.
O próprio Filipe IV manda apresentar-se, em Madrid, o duque de Bragança, para o acompanhar à Catalunha e cooperar no movimento de repressão a que ia proceder.
O duque de Bragança recusou-se a obedecer a Filipe IV.
Muitos nobres portugueses receberam semelhante convocatória, recusando-se também a obedecer a Madrid.

Sob o poder de Filipe III, o desrespeito pelo juramento de Tomar (1581) tinha-se tornado insuportável: nomeados nobres espanhóis para lugares de chefia militar em Portugal; feito o arrolamento militar para guerra da Catalunha; lançados novos impostos sem a autorização das Cortes.
Isto enquanto a população empobrecia; os burgueses estavam afectados nos seus interesses comerciais; e o Império Português era ameaçado por ingleses e holandeses perante a impotência ou desinteresse da coroa filipina.

Portugal achava-se envolvido nas controvérsias europeias que a coroa filipina estava a atravessar, com muitos riscos para a manutenção dos territórios coloniais, com grandes perdas para os ingleses e, principalmente, para os holandeses em África (São Jorge da Mina, 1637), no Oriente (Ormuz, em 1622 e o Japão, em 1639) e fundamentalmente no Brasil (Salvador, Bahia, em 1624; Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Sergipe desde 1630).

Em 12 de Outubro, em casa de D. Antão de Almada, reuniram-se D. Miguel de Almeida, Francisco de Melo e seu irmão Jorge de Melo, Pedro de Mendonça Furtado, António de Saldanha e João Pinto Ribeiro.
Decidiu-se então ir chamar o Duque de Bragança a Vila Viçosa para que este assumisse o seu dever de defesa da autonomia portuguesa, assumindo o Ceptro e a Coroa de Portugal.

No dia 1 de Dezembro de 1640, eclodiu por fim em Lisboa a revolta, imediatamente apoiada por muitas comunidades urbanas e concelhos rurais de todo o país, levando à instauração da Casa de Bragança no trono de Portugal.


Guerra da Restauração

Finalmente, um sentimento profundo de autonomia estava a crescer e foi consumado na revolta de 1640, na qual um grupo de conspiradores da nobreza aclamou o duque de Bragança como Rei de Portugal, com o título de D. João IV (1640-1656), dando início à quarta Dinastia – Dinastia de Bragança.

O esforço nacional foi mantido durante vinte e oito anos, com o qual foi possível suster as sucessivas tentativas de invasão dos exércitos de Filipe III e vencê-los nas mais importantes batalhas, assinando o tratado de paz definitivo em 1668.
Esses anos foram bem sucedidos devido à conjugação de diversas vertentes como a coincidência das revoltas na Catalunha, os esforços diplomáticos da Inglaterra, França, Holanda e Roma, a reorganização do exército português, a reconstrução de fortalezas e a consolidação política e administrativa.

Paralelamente, as tropas portuguesas conseguiram expulsar os holandeses do Brasil, como também de Angola e de São Tomé e Príncipe (1641-1654), restabelecendo o poder atlântico português.
No entanto, as perdas no Oriente tornaram-se irreversíveis e Ceuta ficaria na posse dos Habsburgo.
Devido a estarem indisponíveis as mercadorias indianas, Portugal passou a só obter lucro com a cana-de-açúcar do Brasil.

in www.wikipédia.pt