segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O Infante - Fernando Pessoa



Deus quere, o homem sonha, a obra nasce
Deus quis que a terra fosse toda uma
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te e foste desvendando a espuma.
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo
Quem te sagrou, creou-te portuguez
Do mar e nós em ti nos deu signal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

Fernando Pessoa - Mensagem

domingo, 12 de outubro de 2008

Memorial do Convento - José Saramago




No romance Memorial do Convento, José Saramago recorre a um certo momento da história de Portugal e numa narrativa alegórica propõe uma reflexão sobre todos esses acontecimentos, sobre o comportamento e o destino humano e sobre um mundo onde há a magia do inexplicável.
Romance histórico, mas também social e de espaço, porque articula o plano da história (espaço físico e sócio-cultural)com o plano da ficção e do fantástico.
O título "Memorial do Convento" sugere as memórias de um passado que foi delimitado pela construção do Convento de Mafra, com o que de grandioso e trágico representou como símbolo do país.
A verdade histórica do reinado de D. João V (no século XVIII), com a construção do convento de Mafra, a Inqusição e os autos-de-fé, ou os espaços populares, serve de base contextual para a narração ficcional da reivenção histórica e para a construção da acção com uma vertente do fantástico que envolve a relação de Blimunda e Baltasar, a realização dos sonhos da passarola ou as crenças num universo de magia.
O fio condutor da intriga passa por Blimunda, que imprime à acção uma dinâmica muito própria que lhe confere espiritualidade, ternura e magia.
A acção acaba por se centrar na relação entre Baltasar e Blimunda, que transgride todos os códigos em qualquer tempo, nomeadamente da época.
As vozes do narrador e das personagens proporcionam, constantemente, uma análise crítica aos tempos representados e da enunciação, mas, sobretudo, um comentário e uma crítica ao presente, por onde passa também a história, permitindo confrontar o ser e o tempo.

sábado, 11 de outubro de 2008

Husky Siberiano



História -
A história do aparecimento Husky Siberiano é interessante porque ilustra parcialmente como a relação (de utilidade) estabelecida entre o homem e o cão pode ser baseada no respeito pela raça.
Há mais de 2500 anos atrás o nordeste asiático era povoado por uma comunidade indígena denominada Chukchi.
Exposta a um dos climas mais inóspitos do mundo, a sobrevivência era assegurada com a ajuda de grupos de Huskies que puxavam os trenós do seu dono percorrendo longas distâncias, levando os seus donos aos locais onde pudessem pescar.
Por serem de pequeno porte e relativamente leves, tornaram-se rápidos e gastavam muito pouca energia.
Esta característica foi muito importante, já que o pequeno consumo de energia permitia-lhes superar as temperaturas extremamente baixas do Inverno siberiano que atinge facilmente os 60 graus negativos.
Daqui decorre que no seio daquela comunidade, o respeito pela raça fosse visível, não só na dimensão religiosa, mas também económica.
Isto porque a iconografia da fé representava muitas vezes estes bravos e pequenos cães.
Os melhores exemplares desta raça eram possuídos pelos mais ricos da sociedade que ganhavam prestígio nessa aquisição.
A pureza da raça parece ter sido mantida pelos Chukchi durante todo o século XIV e são estes os verdadeiros ancestrais do actualmente conhecido Husky Siberiano.
Foi com a corrida ao ouro no Alasca, que as suas capacidades foram reconhecidas. Naquela época, os trenós puxados por cães consistiam na única rede de transportes existente e a competição entre equipas tornou-se muito frequente.
A introdução da raça nos EUA fica a dever-se a Leonard Seppala que consegue que, em 1930, a raça seja reconhecida pelo Kennel Club americano.
Oito anos depois, é fundado o primeiro clube da raça no território americano.
Durante a II Guerra Mundial, a raça destaca-se pelo trabalho desempenhado na busca e resgate.
Actualmente, este cão é respeitado a nível mundial, sendo representado por mais de vinte clubes que protegem a sua criação.

Temperamento -
O Husky é um cão muito activo e independente, talhado para trabalhar arduamente em grupo.
A sua forte personalidade, aliada a uma fina inteligência, faz com que estes cães não sejam aconselhados a donos com pouca experiência, uma vez que facilmente se tornam dominantes e invertem a “hierarquia”.
Necessitam pois de uma educação positiva e consistente, que se inicie na sua infância por um dono experiente.
Paciência e persistência são atributos a ter em conta se queremos que respeite as nossas regras.
Paralelamente, são cães muitos sociáveis, que adoram as pessoas e não apreciam ser deixados sozinhos.
Desenvolvem uma boa relação com as crianças porque são muito pacíficos.
No entanto, são hostis a animais de estimação que não conheçam.

Descrição -
A grande popularidade do Husky deve-se também à sua aparência apelativa.
É um cão de tamanho médio, cuja altura na cernelha varia nos machos entre os 53 e os 60 cm e nas fêmeas entre os 51 e os 56 cm.
O seu peso oscila entre os 20e os 27 Kg, nos machos, e entre os 16 e os 23 Kg, nas fêmeas.
A pelagem é dupla e de comprimento médio, com uma aparência bastante felpuda.
O subpêlo é macio e denso e a pelagem exterior é recta e macia.
Na cauda, o pêlo é de comprimento médio e dá a aparência de uma “vassoura” redonda, por ter um tamanho relativamente idêntico na inserção, lados e por baixo.
Todas as cores do branco puro ao preto são permitidas e existe uma variedade notável de marcas.
A cabeça de tamanho médio é proporcional ao corpo e relativamente arredondada. O focinho tem um comprimento médio, ou seja, a distância que vai desde a ponta do nariz ao chanfro é igual à distância desde o chanfro ao occipital.
A cana nasal é recta e o stop é bem definido.
A largura do focinho é média, os lábios são pigmentados e secos e os dentes apresentam uma mordida em tesoura.
O nariz é preto nos cães cinza, canela os pretos; fígado nos cães avermelhados; cor de carne nos cães brancos puros.
Existe ainda um tipo de exemplares que apresenta o nariz raiado de rosa.
As orelhas têm um tamanho médio e formato triangular e apresentam-se erectas. São grossas, peludas, e inseridas alta na cabeça, ligeiramente arqueadas atrás.
Os olhos são amendoados, moderadamente espaçados, e inseridos um pouco obliquamente. Possuem uma expressão penetrante, amistosa e interessada.
Podem ser castanhos ou azuis ou um de cada cor.
De facto a cor dos olhos parece atrair muitas pessoas.
É comum encontrar exemplares com um olho de cada cor ou mesmo com os olhos particoloridos (duas cores no mesmo olho), o que não considerado falha genética.
O seu corpo é relativamente compacto, dotado com uma movimentação leve, livre e esbelta, que não aparenta qualquer esforço.
O pescoço de tamanho médio, é arqueado e portado de forma altiva quando o cão está parado.
Durante o trote, o pescoço estende-se de modo a que a cabeça seja portada ligeiramente para a frente.
O peito é profundo e forte, mas não muito largo. As costelas apresentam-se bem arqueadas a partir da coluna, e achatadas de lado, característica que lhe concede liberdade de movimento.
Nos ombros, a omoplata está disposta bem para trás num ângulo de aproximadamente 45 graus em relação ao chão.
Os músculos e ligamentos que sustentam o ombro à caixa torácica são firmes e bem desenvolvidos.
O dorso é recto e forte e a sua linha superior está nivelada da cernelha à garupa.
O lombo seco e firme, é mais estreito que a caixa torácica e ligeiramente esgalgado.
Quando vistas de frente, as pernas dianteiras são moderadamente espaçadas, paralelas e rectas, com os cotovelos junto ao corpo sem virar para dentro ou para fora.
Quando vistas de lado, os metacarpos são ligeiramente inclinados com as articulações dos metacarpos fortes contudo flexíveis.
A ossatura é substancial mas nunca pesada.
O comprimento da perna, é relativamente maior que a distância do cotovelo ao topo da cernelha. O pezunho é normalmente removido.
As pernas traseiras são moderadamente espaçadas e paralelas.
As sobrecoxas são musculosas, os joelhos bem angulados, as juntas dos jarretes bem definidas e baixas em relação ao solo.
Os pés de formato oval são de tamanho médio, compactos e peludos entre os dedos e as almofadas plantares.
Estas últimas são duras e bem acolchoadas.
A cauda inserida exactamente abaixo do nível da linha superior, é geralmente portada sobre o dorso numa graciosa curva de foice quando o cão está atento.
Quando portada para cima não deve enrolar nem ficar achatada contra o dorso.
É normal a cauda caída e pendente quando o cão está a trabalhar ou em repouso.
As sobrecoxas são musculadas, os joelhos bem angulados, as juntas dos jarretes bem definidas e baixas em relação ao solo.
Os pés têm uma forma oval e não são longos, tamanho médio, compactos e peludos entre os dedos e as almofadas plantares.
As almofadas plantares são duras e bem acolchoadas e os pés não viram para dentro ou para fora quando o cão estiver numa postura normal.
A cauda é peluda a lembrar as das raposas. Inserida exactamente abaixo do nível da linha superior, geralmente portada sobre o dorso numa graciosa curva de foice quando o cão está atento.
Quando portada para cima não deve enrolar nem ficar achatada contra o dorso.
É normal a cauda caída e pendente quando o cão está a trabalhar ou em repouso.

Saúde e Higiene -
Esta raça tem uma esperança média de vida que pode ultrapassar os 15 anos de idade, pelo que é considerada genericamente muito saudável.
Existe porém a hipótese de desenvolver problemas de visão (tais como cataratas e atrofia progressiva da retina) e displasia da anca.
O seu pêlo precisa ser escovado ocasionalmente e só deve ser aparado nos pés.
Estes cães necessitam de praticar diariamente exercício físico (entre uma a duas horas).
Adoram correr livremente e saltam com facilidade as vedações pouco altas, por isso há que tê-lo bem protegido.
Também apreciam o tempo frio e o ideal é que vivam fora de casa com acesso a uma área devidamente cercada.

Informação retirada de VIVAPETS

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

What's up - For non Blonds




Esta música é dos gloriosos anos 90, onde, felizemente, as tribos urbanas que dominavam, não tinham uma mentalidade tão fechada como a dos xungas fãs de hip-hop e de quizomba.
Foram os anos em que dominaram o grunge, o rock 'n roll, o heavy metal, que felizmente ainda se continuam a ouvir.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Banda desenhada - Livro inédito editado em Portugal assinala os 50 anos de Major Alvega


O herói clássico de banda desenhada Battler Britton, popularizado em Portugal com o nome “Major Alvega”, regressa este mês às livrarias portuguesas pela mão da editora BDMania, com uma história inédita comemorativa dos 50 anos da personagem.
A história – assinada pelo britânico Garth Ennis e pelo neozelandês Colin Wilson – chega a Portugal no dia 20 de Outubro, dois anos depois da edição nos Estados Unidos, que assinalou, na altura, os 50 anos da estreia do major da Força Aérea Britânica.
A edição portuguesa integra um texto introdutório, assinado por João Miguel Lameiras, que explica porque é que nas histórias publicadas em Portugal, nos anos 1960 e 1970, Battler Britton foi rebaptizado de Major Alvega.
Battler Briton, um herói de guerra que viveu dezenas de aventuras durante a Segunda Guerra Mundial, sobretudo contra a aviação alemã, foi publicado pela primeira em 1956,na revista semanal Sun.
Em Portugal, as histórias do aviador britânico fizeram furor na revista “O Falcão” com o nome Major Alvega e toda a biografia foi “aportuguesada”, por imposição do Estado Novo.
À custa disso, Robert "Battler" Britton passou a ser Jaime Eduardo de Cook e Alvega, filho de pai ribatejano e mãe inglesa, estudante da Universidade de Coimbra, antes de se alistar na Força Aérea Britânica.
“A popularidade da personagem junto do público português foi tal que a própria Força Aérea Portuguesa o escolheu como mascote nos anos 60”, refere João Miguel Lameiras na nota introdutória desta nova história.
Nos anos 90’, as histórias de Major Alvega foram adaptadas para televisão, com a exibição de uma série na RTP realizada por Henrique Oliveira e protagonizada por Ricardo Carriço, Rosa Bella e António Cordeiro.
Ao longo de 120 páginas a cores, Garth Ennis e Colin Wilson renovam a imagem de Battler Britton, numa história passada em 1942, com o piloto a ser enviado para uma base norte-americana no Norte de África, para travar - em conjunto com a aviação britânica - o avanço das tropas alemãs comandadas por Hitler.

In www.publico.pt

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Barco Negro - David Mourão Ferreira


Barco Negro - David Mourão Ferreira

De manhã temendo que me achasses feia,
acordei tremendo deitada na areia,
mas logo os teus olhos disseram que não
e o sol penetrou no meu coração.

Vi depois, numa rocha, uma cruz,
e o teu barco negro dançava na luz;
vi teu braço acenando, entre as velas já soltas.
Dizem as velhas da praia que não voltas...
São loucas! São loucas!
Eu sei, meu amor,
que nem chegaste a partir,
pois tudo em meu redor
me diz que estás sempre comigo.

No vento que lança
areia nos vidros,
na água que canta,
no fogo mortiço,
no calor do leito,
nos bancos vazios,
dentro do meu peito
estás sempre comigo.