sábado, 7 de março de 2009
May it Be - Enya
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sexta-feira, 6 de março de 2009
Autópsia na próxima semana - Corpo de Afonso Tiago não indicia violência nem roubo
O corpo do português Afonso Tiago, que estava desaparecido desde Janeiro, foi encontrado a flutuar no rio Spree, próximo da ponte Schillingbrucke, em Berlim, sem apresentar sinais evidentes de agressão e tendo nos bolsos os seus dois telemóveis e os documentos, revelaram ao PÚBLICO amigos seus a viver na capital alemã.
João Gonzaga, que vive em Berlim e é amigo da família de Afonso Tiago, bem como Ivo do Carmo, amigo do Afonso e a última pessoa que o viu na madrugada em que desapareceu, relataram aquelas circunstâncias por telefone.
Gonzaga contou que foi contactado, cerca das 14h de Lisboa, pelo agente da polícia local que tem feito a ligação com a família e os amigos, que o informou do aparecimento do corpo e da ausência de indícios de agressão e de roubo.
Em Janeiro, na data do desaparecimento de Afonso Tiago (na madrugada de 9 para 10), a superfície do rio Spree encontrava-se em grande parte gelada, estando apenas aberto um canal no meio para permitir a navegação, lembrou João Gonzaga.
Do local onde se despediu de Ivo do Carmo até sua casa, Afonso Tiago teria de atravessar o rio, o que poderia fazer pela ponte Schillingbrucke ou pela Oberbaum – mas a primeira era apontada como mais provável.
A noite era de Lua cheia, estavam 18 graus negativos.
Afonso Tiago tinha ido para a zona de Friedrichshain, onde há algumas discotecas de música electrónica, mas a certa altura decidiu não continuar a noite com os amigos. Às 3h40 despediu-se de um dos companheiros, Ivo do Carmo, junto à estação de comboios Ostbahnhof, perto do maior pedaço que resta do muro que até há 20 anos dividiu Berlim.
Dado o corpo não indiciar sinais de violência nem de roubo, João Gonzaga sente-se mais inclinado a pensar que se tratou de um acidente. “Não sei o que hei-de pensar. Tento pensar positivo e não pensar que alguém matou o Afonso”, explicou ao PÚBLICO este amigo da família que vive em Berlim e foi muito activo na divulgação do desaparecimento.
“Penso que foi um acidente. (...) Não sei o que é que a polícia vai dizer para a semana”, depois da autópsia que já foi anunciada, disse ainda Gonzaga, que avançou com a hipótese de Afonso Tiago ter caído da ponte ou da margem do rio, ou mesmo de ter caminhado sobre o gelo.
Disse que o corpo foi encontrado à direita da ponte (para quem faz o percurso da discoteca para casa de Afonso) e lembrou também que já tinha havido buscas, infrutíferas, à esquerda da ponte para quem a atravessa naquele sentido, junto a uma discoteca que não era aquela onde o grupo de amigos tinha ido.
in www.publico.pt
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quinta-feira, 5 de março de 2009
Lagos: No âmbito das obras da frente ribeirinha - Descoberto cais do século XVII
Descoberto cais do século XVII
Junto à janela manuelina do Palácio dos Governadores, em Lagos, de onde, segundo a tradição, D. Sebastião ouviu missa na noite antes da partida para Alcácer-Quibir, foi agora posto a descoberto o antigo Cais da Ribeira e identificadas duas portas de acesso à cidade e parte da muralha.
De acordo com a arqueóloga Helena Morán, da Câmara de Lagos, "a estrutura do cais, com a respectiva rampa de acesso, encontrada sob o actual Jardim da Constituição (antigo Jardim das Portas do Mar), tem pelo menos dois momentos de utilização: um mais antigo, do século XVII, e outro que esteve em funcionamento até aos anos 40 do século XX.
Quanto às portas (a décima e a de acesso ao cais), sabíamos igualmente que existiam, até porque se encontravam ilustradas na planta elaborada em época moderna por Alexandre Massai (século XVII), esclareceu a investigadora, que destacou a "participação da população local, nomeadamente dos mais idosos, que chegaram a trazer fotografias antigas da zona e que foram muito importantes para a compreensão da área que estávamos a escavar".
Os trabalhos reconheceram ainda a muralha existente entre o Palácio dos Governadores e a Messe Militar. Neste momento a equipa está a "estudar a melhor maneira de apresentar os vestígios ao público".
Os achados arqueológicos foram efectuados no âmbito do processo de requalificação da frente ribeirinha, uma obra do Polis que, segundo referiu ao CM a vice-presidente da autarquia, Joaquina Matos, "deverá ficar concluída até ao Verão".
A obra está orçada em cerca de 2,2 milhões de euros.
Ana Palma / Paulo Marcelino
in www.correiomanha.pt
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quarta-feira, 4 de março de 2009
Literatura - Livro "O Vale da Paixão" de Lídia Jorge editado na Roménia
O romance "O Vale da Paixão", de Lídia Jorge, publicado em 1998, é editado esta semana na Roménia, com chancela da Editura ART, informou o Grupo Leya.
A obra, publicada com o título "Valea Pasiunilor", foi traduzida para romeno por Micaela Ghitescu.
Este romance, distinguido com o Prémio D. Dinis/Casa de Mateus em 1998, foi já publicado na Alemanha, França, Estados Unidos, Espanha, Grécia, Suécia, Itália, Israel, Brasil, Islândia e Reino Unido.
Além do Prémio D. Dinis, "O Vale da paixão" recebeu também os prémios Pen Clube Português de Ficção, Máxima de Literatura, Bordallo de Literatura da Casa da Imprensa, e Prix Jean Monnet de Littérature Européenne, em 2000.
Lídia Jorge, 62 anos, nasceu em Boliqueime (Faro) e licenciou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa.
Estreou-se na ficção com "O dia dos prodígios", em 1980, e publicou desde então romances como "O Cais das Merendas", "Notícia da Cidade Silvestre", "A Costa dos Murmúrios" (adaptado ao cinema por Margarida Cardoso), "O Jardim sem Limites" e "O Vento Assobiando nas Gruas" (romance com que obteve o Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores e o Prémio Correntes d'Escritas) e "Combateremos a Sombra".
São ainda da sua autoria as colectâneas de contos "Marido e Outros Contos", "O Belo Adormecido" e "Praça de Londres", e a peça de teatro "A Maçon", levada à cena no Teatro Nacional Dona Maria II em 1997.
in www.publico.pt
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terça-feira, 3 de março de 2009
Moonspell
Moonspell
Informação geral
País - Portugal
Géneros - Black Metal/Gothic Metal
Período em actividade -
Morbid God 1989 - 1992
Moonspell 1992 - actualmente
Editora Adipocere Records
Century Media Records
SPV/Steamhammer
Sítio oficial http://www.moonspell.com/
Integrantes
Fernando Ribeiro
Mike Gaspar
Pedro Paixão
Ricardo Amorim
Aires Pereira
Ex-integrantes
Niclas Etelävuori
Sérgio Crestana
Mantus
Luis Lamelas
Aires Pereira
Moonspell é um grupo musical de Portugal de black metal/gothic metal.
Formada iniciamente como "Morbid God" em 1989, tinha como integrantes Fernando Ribeiro nos vocais e Mike Gaspar na bateria, além de dois outros integrantes.
No seu início o grupo tocava black metal.
História
Em meados de 1989 surgia a banda Morbid God, ainda inexperiente, sem bons instrumentos e sem um bom local para ensaiar.
Somente no ano seguinte seria registada em estúdio a primeira música da banda, no formato de promo-tape e com o título de "Serpent Angel".
Este grupo só se conseguiu estabilizar em 1993, lançando a sua primeira demo-tape.
Foi em 1992 que a banda mudou o nome para Moonspell. Em 1993 os Moonspell (Fernando Ribeiro (vocalista) e Mike Gaspar (bateria) gravaram a demo Anno Satanae, que garantiu um contrato com a editora francesa Adipocere para a gravação de um mini-cd que foi editado um ano depois com o nome Under the Moonspell.
Em 1995, e já na Century Media, editaram o seu primeiro cd, intitulado Wolfheart. Neste cd os Moonspell quebraram com o seu antigo estilo, black metal, para produzirem um cd gótico com influências de Folk e Black Metal.
O cd foi um sucesso, e colocou finalmente os Moonspell na cena de metal internacional.
O cd que se seguiu, Irreligious, foi lançado em 1996, cujo single, Opium (música inspirada no poema Opiário de Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa), continua a ser uma das músicas mais conhecidas dos Moonspell.
Em 1998 é lançado o Sin/Pecado, como elementos electrónicos sendo adicionados ao som da banda, num trabalho belo e experimental, em seguida (1999) viria o The Butterfly Effect, elevando ainda mais essa face experimental/eletrônica.
Em 2001, o álbum Darkness and Hope aparece com uma sonoridade gótica, sendo aclamado pelos fãs, que em seguida ficariam extasiados com o The Antidote (2003), álbum mais agressivo, porém, mantendo a caraterística da banda e tido por alguns fãs como o melhor álbum.
Em 2006 sai o considerado melhor álbum da banda 'Memorial' que atingiu o top português na primeira semana em que esteve à venda. Adjuvados pelo sucesso do último álbum, os Moonspell ganharam em Novembro de 2006 o prémio de Best Portuguese Act dos MTV Europe Music Awards!.
Em 2007 editam um novo album, intitulado "Under Satanae", composto por regravações das primeiras demos.
A 19 de Maio de 2008 sai o mais recente álbum da banda com o nome "Night Eternal" seguido, em Dezembro do mesmo ano, pelo muito aguardado duplo DVD "Lusitanian Metal" contendo várias gravações ao vivo desde o início da banda até 2004 e uma entrevista.
Influência da cultura portuguesa
As influências portuguesas podem ser encontradas na música de Moonspell, na maior parte através dos poemas líricos.
Embora a maioria de suas canções estejam em inglês, “Trebraruna”, “Alma Mater” e “Atægina” de “Wolfheart”, “Full Moon Madness” do “Irreligious”, “Than the Serpents in my Hands” do “Darkness and Hope” são cantados em português ou em característica no portuguesa. “Trebaruna” e “Ataegina” são sobre as deusas da mitologia lusitana. Os primeiros quatro versos de “Than the Serpents in my Hands” foram escritos por Mário Cesariny. Moonspell regravou a canção “Os senhores da guerra” de Madredeus.
Membros
Hoje
Fernando Ribeiro - Vocal (desde 1989)
Ricardo Amorim - Guitarra (desde 1995)
Mike Gaspar - Bateria (desde 1992)
Pedro Paixão - Teclado e Guitarra (desde 1994)
Temporário
Aires Pereira - Baixo (desde 2003) (baixista de estúdio no álbum Under Satanae e baixista ao vivo)
Fernando Ribeiro em Concerto, 2004
Antigos
Mantus - Guitarra (1990-1995)
Malah - Guitarra (1992-1993)
Tanngrisnir - Guitarra (1994-1995)
Baalberith - Bateria (1989-1992)
Ares - Baixo (1989-1997)
Sérgio Crestana - Baixo (1997-2003)
Niclas Etelävuori - Baixo (2003 e 2008) (baixista de estúdio nos álbuns The Antidote e Night Eternal)
Waldemar Sorychta - Baixo (2006) (produtor e baixista de estúdio no álbum Memorial)
Discografia
Demos
Serpent Angel (1992) (Como Morbid God)
Anno Satanae (1993)
Singles & EPs
Goat on Fire/Wolves from the Fog (1993)
Under the Moonspell (1994)
Opium (1996)
2econd Skin (1997)
Everything Invaded (2003)
Finisterra (2006)
Luna (2006) Participação especial da vocalista dos Cinemuerte Sofia
Scorpion Flower (2008) Participação especial da Ex.vocalista do The Gathering Anneke
Night Eternal (2008)
Álbums
Wolfheart (1995)
Irreligious (1996)
Sin/Pecado (1998)
The Butterfly Effect (1999)
Darkness and Hope (2001)
The Antidote (2003)
Memorial (2006) Com reedição no mesmo ano + DVD
Under Satanae (2007)
Night Eternal (2008) Com reedição especial acompanhada de dvd com actuação no Wacken
Compilações
The Great Silver Eye (2007)
Gravações ao vivo
Lusitanian Metal (CD) (2008) Metalmania 2004, Polónia
Projectos paralelos
Daemonarch
DVD's
Lusitanian Metal (2008) Com edição especial contendo cd com o mesmo nome
in www.wikipedia.pt
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segunda-feira, 2 de março de 2009
MOONSPELL SEM MÁSCARA
MOONSPELL SEM MÁSCARA
Fernando Ribeiro, o Sr. Moonspell, responde a tudo aquilo que os leitores da BLITZ não tiveram vergonha de perguntar.
Inclui preferência clubística, novelas brasileiras, cozinha vegetariana e alguma música.
Fotos de Espanta Espíritos
Existe alguma banda fora do heavy-metal que tenha ajudado a moldar o som dos Moonspell?
Bruno_89
Uma de caras: os Fields of the Nephilim. Não são uma banda de heavy-metal, são uma banda do gótico atmosférico e ajudaram muito a moldar o som de Moonspell.
Os Type O Negative, que têm muito mais de punk e gótico do que de metal, e imensas outras referências indirectas, como música clássica e bandas-sonoras.
Nós nascemos numa altura em que a fusão de estilos era a melhor maneira de fazer alguma coisa com voz própria.
Tem noção que atormenta os sonhos de todos os miúdos que vêem o Noddy? MaryLou
Eu ainda não tenho filhos e não fazia a mínima ideia do que era o Noddy, nem nunca tinha ouvido aquela música na vida.
Vínhamos dos Estados Unidos e até estávamos a precisar de descomprimir, pois tinha sido uma digressão dura e intensa.
Fizemos aquilo sem sequer montar a bateria, comigo a gritar no meio da sala de ensaios e eles a tocarem guitarra.
Os miúdos que falaram comigo, e foi logo no dia a seguir porque moro ao pé de uma escola primária, disseram logo: «o senhor é que esteve ontem no Gato Fedorento? Gostámos muito!».
Também tive o filho do nosso teclista ao telefone, a imitar o Noddy com a minha voz… Hoje em dia os miúdos já não têm medo do Papão e sabem perfeitamente lidar com coisas muito mais extremas e violentas do que a nossa versão do Noddy.
Acho que não aterrorizo, pelo menos nesse sentido, as crianças (risos).
Se os Moonspell acabassem continuava dentro do metal ou era capaz de se virar para outro estilo?
Riot_Act
Tenho a noção que os Moonspell não irão durar para sempre.
Conoto o metal com uma certa juventude, depois tem uma fase de maturidade – mas não me vejo a ser o Ozzy Osbourne.
Se tivesse a vitalidade do Ronnie James Dio, se calhar consideraria ficar no metal. Mas acho que há um prazo, até de dignidade, que tem de ser cumprido. Por isso, sempre tentei ouvir coisas fora do metal, até porque acho que as pessoas não se devem limitar a escutar um estilo de música. Gosto muito de coisas tipo Scott Walker, Bonnie Prince Billy, Leonard Cohen, Nick Cave.
Seguiria uma das seguintes direcções: a do cantautor dark ou então das bandas da editora Cold Meat Industry, que é uma onda mais etérea mas também minimalista e experimental, de que gosto muito.
Qual a sua opinião sobre o hip-hop?
ZePedro CCL
A melhor opinião que posso dar é de que não gosto, não me identifico. Não tinha, em todo o caso, uma opinião tão negativa como [depois] da pequena polémica com aquela música do Sam The Kid, «Poetas do Karaoke».
Não tenho conhecimentos nem qualquer tipo de relação afectiva para poder apreciar, mas não gosto da superioridade moral que eles procuram demonstrar. O hip-hop será uma música em que as pessoas acreditam no que estão a dizer, é uma música de realidade, mais do que do sonho.
E às vezes vais ver a conduta deles, e há um desfasamento. Musicalmente não gosto e não embarco naquela cena do «eu não gosto mas vocês são bons». Não querendo pegar outra vez no Sam The Kid, que é só mais um artista numa comunidade que tem uma actividade bastante forte, ele tem uma letra que diz «não conheces o hip-hop». Eu poderia ser um dos sujeitos dessa letra, não fosse a letra tão agressiva ou irónica. Não percebo mesmo o hip-hop e, não percebendo, ser-me-ia difícil ter algum gosto nele.
Que estilos literários o influenciam na escrita das letras?
Bruno_89
Gosto muito daqueles romances que falam do poder do Homem em construir e destruir, em que se incluem livros tão diferentes como o Fausto do Goethe ou A Servidão Humana do Somerset Maugham.
A nível de poesia, gosto muito da poesia decadentista, como Baudelaire, e poesia simbolista. O meu poeta favorito, que está traduzido em português, é o Justo Jorge Padrón, um espanhol que consegue penetrar todos os estilos de que gosto. É a minha grande influência a escrever.
É supersticioso? Qual o seu amuleto da sorte? RASTA
Superstição pode ser entendida como credulidade e nesse aspecto é uma coisa que acho negativa.
Por outro lado, tenho algumas coisas de supersticioso: bato na madeira, talvez por influência familiar, e gosto de juntar as moedas de um cêntimo. Não as gasto, meto-as debaixo de coisas. Aliás, no nosso estúdio há imensas moedas de um cêntimo, talvez para não perder o encaixe financeiro (risos).
E gosto imenso dos símbolos, porque tenho consciência que foram criados pelo Homem para nos representar e são extremamente importantes, até nas nossas capacidades de comunicação e entendimento. São aquilo que é nosso mas, ao fim e ao cabo, também nos ultrapassa.
Aquele pedaço de tecto do Coliseu do Porto que aterrou mesmo a seu lado no festival Marés Negras, no Porto – gostava de tê-lo guardado como recordação?
Alfaiate
Hoje em dia, as pessoas esquecem-se da melhor forma de guardar recordações, que é a memória. Recriar momentos na tua memória é uma coisa que não pode ser ultrapassada pela colecta de objectos e gravações…
Num concerto não puxo de um telemóvel para gravar, porque tenho os meus olhos e as minhas faculdades cognitivas e as emoções: não estou ali para documentar, mas para viver uma coisa.
Nos Moonspell, guardo coisas um bocadinho fora do comum: penso que o pedaço de tecto – ou de estuque – seria uma recordação interessante, mas não me lembrei disso. Mas já guardei coisas que me mandam para o palco e ainda hoje tenho, para horror da minha namorada. Uma vez mandaram-me uma Santa Maria ou uma Santa Marta fluorescente. Achei fantástico! Deve ter sido uma pessoa católica – isto na altura do Sin, que era um álbum muito virado para esse imaginário.
Também tenho uma colecção de bandeiras que nos mandaram para o palco: do Brasil, do Chile, de Moscovo – que é a bandeira de São Jorge – , portuguesas mais que muitas.
Quais são os seus filmes de culto preferidos?
Bruno_89
Os meus dois filmes preferidos são O Homem Elefante do David Lynch e A Última Tentação de Cristo do Martin Scorsese. A estes adiciono o Requiem For A Dream do Darren Aronofsky, que vi nos Estados Unidos e não foi um soco no estômago, foi um pontapé! Depois o Fausto do Murnau, que é indescritivelmente belo, por ser tão antigo e tão épico, e O Exorcista do Friedkin, que foi dos filmes que mais me assustou e ainda me assusta muito.
O que acha do sociólogo polaco que vos acusou de satanismo?
Neverminded
É um fascista católico, foi isso que lhe chamámos no concerto em Varsóvia. Felizmente eles lá não estão tão avançados como nós ao nível das escutas (risos). Regra geral, para mim, o sociólogo é aquela pessoa que fala os lugares-comuns que qualquer pessoa que pense um bocadinho consegue ter, que tenta explicar por formas quadradas o que de vez em quando é curvo.
Estamos a falar de uma disciplina que está mais dentro do questionamento da fé cristã do que do outro lado, pelo que se se junta a sociologia a uma acusação de profanação de fé cristã, só posso considerá-lo mesmo burro. O concerto não foi cancelado porque estava praticamente cheio e porque as acções que ele desenvolveu foram tardias; vimos no YouTube uma reportagem que é de rir, com fotografias de monstros e quadros de arte flamenga, e depois aparece ele a segurar um patch com o logótipo de Moonspell, como se fosse um artefacto de magia negra. Vou à Polónia tocar desde 1995, praticamente todos os anos, e nestes últimos dois anos nota-se as pessoas mais tensas e muito envergonhadas do rumo que a Polónia está a levar, que é completamente ilógico. Foi dos países mais massacrados pela II Guerra Mundial e o ressurgimento da extrema-direita, dos valores conservadores e totalitários, é deveras assustador. Sentimos isso na rua – não é uma coisa dos jornais ou da televisão.
Com que artista faria um dueto?
Rasta
Já fiz com a Cristina [Scabbia] dos Lacuna Coil, ao vivo. Estávamos em digressão juntos e fizemos o «Heaven’s A Lie». Por acaso até desafinei um bocadinho: ela canta muito bem e eu canto pior, mas tenho mais força nos berros. Com quem faria: Diamanda Galás, Jarboe, Siouxsie. A nível de homens Leonard Cohen, e também ficaria muito giro a minha voz com a do Adolfo Luxúria Canibal. Já cantei com ele ao vivo e correu muito bem.
Blitz, Sexta, 30 de Novembro de 2007 às 10:49
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domingo, 1 de março de 2009
Comala
Estou aqui tu sabes onde
e as almas saíram à rua esta noite para conversar.
Estou aqui a vê-las, pela janela,
dentro daquilo que nunca chegará cá dentro.
O relógio de lua bate certeiro,
conta-me ao ouvido as horas da minha vigília.
Cá dentro do que lá fora cá dentro uma alma que brilha
e me diz numa voz calada:
"volta para dentro e deita-te a sonhar o mais que possas,
para de vez acabares com os teus pesadelos."
Por: Fernando Ribeiro em As Feridas Essenciais.
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